Respeita-te
Filipa Jardim da Silva
O meu interesse pela saúde mental nasceu muito antes da psicologia se tornar profissão. Nasceu da observação atenta das pessoas, das emoções silenciadas e da forma como muitos vivem em esforço permanente, desconectados de si próprios.
Ao longo do meu percurso académico e clínico fui confirmando algo essencial: corpo e mente não funcionam separados, e o verdadeiro autocuidado exige compromisso, humanidade e consistência.
Como psicóloga clínica, autora e fundadora e CEO da Academia Transformar, dedico-me a promover literacia em saúde mental integrativa, aliando ciência psicológica, desenvolvimento emocional e práticas que sustentam longevidade e bem-estar real. Acredito que cuidar de nós mesmos não é um luxo nem um ato egoísta, mas uma responsabilidade individual e coletiva.
A minha missão passa por transformar a saúde mental numa força estratégica para pessoas e organizações.
Entrevista à Dra. Filipa Jardim da Silva
O que é para si o autocuidado?
É uma prática consciente e contínua de respeito por nós mesmos, que integra corpo, mente, emoções e relações, muito para além de gestos pontuais.
O que significa ser Embaixadora de um pilar neste evento?
É um enorme privilégio e significa assumir responsabilidade pública por uma mensagem que acredito, dando-lhe voz, profundidade e aplicação prática.
Em concreto, qual o âmbito do pilar que representa?
O pilar Respeita-te centra-se na autorregulação emocional, nos limites saudáveis e na construção de uma relação mais justa connosco mesmos, um pilar por isso muito ligado à saúde mental.
Qual a importância deste evento no panorama nacional?
É um espaço que legitima o autocuidado como um tema sério, necessário e transversal à saúde individual e coletiva, reforçando a saúde como algo integrativo e promovendo uma visão em que promovemos bem-estar e não só remediamos a doença.
Qual a melhor decisão que tomou em prol da saúde?
Aprender a parar sem culpa e a integrar que o meu autocuidado é uma base prioritária no dia-a-dia se quero transformar vidas de forma sustentável.
Que hábito saudável não dispensa?
Hidratação contínua e momentos diários de pausa, mesmo que breves, para recentrar, auto observar-me e respirar de forma consciente.
Tem alguma rotina ou hábito que mudaria? Porquê?
Como muitas pessoas, continuo a trabalhar a capacidade de dizer "não" no momento certo sem me levar a um cansaço excessivo.
Qual o seu alimento saudável preferido? Porquê?
Podia passar os meus dias só com ovos e morangos, porque nutrem sem sobrecarregar.
Qual a sua atividade física preferida? Com que regularidade a pratica?
Caminhadas e treino funcional / treino de força. Neste momento estou a praticar duas a três por semana, com o objetivo de aumentar ainda a frequência, mas feliz por ter recuperado este bom hábito consistente depois de me ter perdido um pouco no meu segundo pós-parto.
A melhor forma de cuidar da saúde mental é…
Substituir a culpa por compaixão e o julgamento por curiosidade, construir rotinas consistentes que nos respeitem como proteger o nosso sono, assegurar movimento regular e nutrirmo-nos com qualidade, a par cultivar relações seguras e momentos de desaceleração e treino de foco.
Quando não está a trabalhar, o que mais gosta de fazer e que a deixa feliz?
Estar com os meus filhos, fazer atividades diferentes e conhecer sítios novos, viajar e estar com amigos, em presença plena e sem pressa.
Qual é o seu lema de vida no que toca à saúde?
Cuidar é prevenir. E prevenir é um ato de respeito, por nós e pelos outros.
O que entende ser o seu “superpoder”?
A empatia e a capacidade de escutar profundamente e me conectar ao outro.
